quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Disciplina da Solitude

Jesus chama-nos da solidão e ensina-nos a exercitar a solitude.

Nosso medo de ficar sozinhos impulsiona-nos para o barulho e para as multidões. “Onde deve ser encontrado o mundo em que ressoará a palavra? Aqui não, pois não há silêncio suficiente”.(T. S. Eliot).

Solidão = vazio interior

Solitude = realização interior; não é um lugar, mas um estado de mente e do coração.

A solitude não é a arte de nos afastar das pessoas, mas de ouvi-las melhor.

Há a solitude de coração (interior) e a solitude exterior.

Jesus experimentou e exercitou ambos os tipos de solitude.

Solitude exterior = 40 dias no deserto (Mt 4. 1-11); Passou à noite no deserto antes de escolher seus discípulos (Lc 6.12); Quando soube da morte de João Batista Ele se retirou (Mt 14. 13); Após a multiplicação dos pães (Mt 14. 23); Após uma longa noite de trabalho (Mc 1. 35); Quando os 12 voltaram de uma missão de pregação e curas (Mc 6. 31); Depois da cura de um leproso (Lc 5. 16); Quando da experiência da transfiguração (Mt 17. 1-9); Quando se preparava para Sua mais sublime obra (Mt 26. 36-46).

“Aquele que não pode estar sozinho, tome cuidado coma comunidade... Aquele que não está em comunidade, cuidado com o estar sozinho... Cada uma dessas situações tem, de si mesma, profundas ciladas e perigos. Quem deseja a comunhão sem solitude mergulha no vazio de palavras e sentimentos, e quem busca a solitude sem comunhão perece no abismo da vaidade, da alto-enfatuação e do desespero”. (Dietrich Bonhoeffer).

Solitude e Silencio

Sem silêncio não há solitude. Muito embora o silêncio às vezes envolva a ausência de linguagem, ele sempre envolve o ato de ouvir. O simples refrear-se de conversar, sem um coração atento à voz de Deus, não é silêncio.

“O homem que abre a boca fecha os olhos”.

O controle, e não a ausência de ruído, é a chave do silencio – Tg 3.1-12. Lembre-se que disciplinas espirituais não são leis.

“É mais fácil estar totalmente em silêncio que falar com moderação”. (Thomas de Kempis) e isso tem haver com Ec 3. 7. O controle é a chave.

A pessoa disciplinada é a que pode fazer o que precisa ser feito quando precisa ser feito (Pv 25. 11).

O Sacrifício de Tolos

O sacrifício de tolos é conversa religiosa de iniciativa humana (Ec 5. 1 e 12). Mt 7. 14 é um exemplo de sacrifício de tolos.

A língua é um termômetro, ela diz qual é a nossa temperatura espiritual.

Passos Para a Solitude

Disciplinas são coisas que fazemos. Podemos falar sobre elas sem praticá-las. A chave é resolver fazer e fazer.

O que fazer:


1) Tirar vantagem das pequenas solitudes;

2) Encontrar ou criar um lugar tranqüilo;

3) Disciplinar-se – torne-se conhecido como uma pessoa que quando fala tem algo a dizer (Ec 5. 5);

4) Tente viver um dia inteiro sem proferir uma palavra – faça-o como um experimento e não como uma lei;

5) Reoriente-se, reveja suas metas;