terça-feira, 31 de maio de 2011

A ABSOLUTA IMPORTÂNCIA DO MOTIVO

A. W. Tozer
   
A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.  
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Como a água não pode subir mais alto do que o nível da sua fonte, assim a qualidade moral de um ato
nunca pode ser mais elevada do que o motivo que o inspira. Por esta razão, nenhum ato procedente de um
motivo mau pode ser bom, ainda que algum bem pareça resultar dele. Toda ação praticada por ira ou
despeito, por exemplo, ver-se-á, afinal, que foi praticada em favor do inimigo e contra o reino de Deus.

Infelizmente,  a  atividade  religiosa  possui  tal  natureza,  que  muito  desse  tipo  de  atividade  pode  ser
realizado por motivos maus, como a raiva, a inveja, a ambição, a vaidade e a avareza. Toda atividade desse
tipo é essencialmente má e como tal será avaliada no Julgamento.

Nesta questão de motivos, como em muitas outras, os fariseus dão-nos exemplos claros. Eles continuam
sendo  o  mais  triste  fracasso  religioso  do  mundo,  não  por  causa  de  erro  doutrinário,  nem  porque  eram
pessoas  de  vida  abertamente  dissoluta.  Todo  o  problema  deles  estava  na  qualidade  dos  seus  motivos
religiosos. Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e, deste modo, o seu motivo arruinava as suas
orações e as tornava inúteis e, realmente, más. Contribuíam para o serviço do templo, porém, às vezes, o
faziam  para  escapar  do  seu  dever  para  com  os  seus  pais,  e  isto  era  um  mal,  um  pecado.  Os  fariseus
condenavam o pecado e se levantavam contra ele, quando o viam nos outros, mas o faziam motivados por
sua justiça própria e por sua dureza de coração. Isso caracterizava quase tudo o que faziam. Suas atividades
eram cercadas por aparência de santidade; e essas mesmas atividades, se fossem realizadas por motivos
puros, seriam boas e louváveis. Toda a fraqueza dos fariseus estava na qualidade dos seus motivos.

Isto não é uma coisa insignificante – é o que podemos concluir do fato de que aqueles religiosos formais e
ortodoxos  continuaram  em  sua  cegueira,  até  que  finalmente  crucificaram  o  Senhor  da  glória,  sem
qualquer noção da gravidade do seu crime.

Atos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus – maus em si mesmos e maus porque são
praticados em nome de Deus. Isto equivale a pecar em nome dAquele Ser que é impecável, a mentir em
nome dAquele que não pode mentir e a odiar em nome dAquele cuja natureza é amor.

Os crentes, especialmente os muito ativos, freqüentemente devem separar tempo para sondar a sua alma, a
fim de certificarem-se dos seus motivos. Muito solo é cantado para exibição; muitos sermões são pregados
para mostrar talento; muitas igrejas são fundadas como um insulto contra outra igreja. Mesmo a atividade
missionária pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, tornando-se uma espécie
de marketing eclesiástico, para satisfazer a carne. Não esqueçam: os fariseus eram grandes missionários, e
rodeavam o mar e a terra para fazer um converso.

Um bom modo de evitar a armadilha da atividade religiosa vazia é comparecer diante de Deus, sempre
que possível, com a nossa Bíblia aberta em 1 Coríntios 13. Esta passagem, embora seja considerada uma das
mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas dentre as que se acham nas Escrituras Sagradas. O
apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o consigna à futilidade, se não for motivado pelo amor.
Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.

Resumindo, podemos dizer que, aos olhos de Deus, somos julgados não tanto pelo que fazemos e sim por
nossos motivos para fazê-lo. Não “o quê”, mas “por quê” será a pergunta importante que ouviremos, quando
nós,  crentes,  comparecermos  no  tribunal,  a  fim  de  prestarmos  contas  dos  atos  praticados  enquanto
estávamos no corpo.





Nota sobre o autor: o Dr. A. W. Tozer era pastor de uma igreja da Aliança Cristã Missionária, no Canadá, até seu falecimento, nos anos
1960. Ele é conhecido como um dos mais famosos pregadores deste século e “um profeta” da nossa geração.
(Publicado originalmente, em português, em “A Raiz dos Justos”, pela Editora Mundo Cristão).