terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Julgamento Precipitado

Julgamento Precipitado

         Havia numa Aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco. Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira. Os amigos disseram ao velho:
         –“Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado”!
         E o velho respondeu:
         –“Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês”.
         As pessoas riram do velho.
         Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou. Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
         Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
         –“Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma bênção”.
         E o velho disse:
         –“Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma bênção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta”.
         O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:
         –“E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas”.
         E o velho disse:
         -“Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção”…
         Aconteceu que, depois de algumas semanas, o País entrou em Guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho. E os que foram para a guerra, morreram…
         Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas.
         Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina, outro começa, quando uma porta se fecha, outra se abre…
         As vezes vemos apenas a desgraça e não vemos a bênção que ela nos traz”…


(Autor desconhecido)