quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Velho, o Menino e o Burro

O Velho, o Menino e o Burro
                Você já tentou agradar a todos? Qual foi o resultado?  Será que você conseguiu? Veja nessa história abaixo, um exemplo disso:
                No interior de Minas Gerais, terra de gente muito boa e trabalhadora, havia um pequenino sítio.
                Do que plantava naquela terra vivia uma humilde família, e também da criação de algumas galinhas e porcos, além de três cabeças de gado.
                Esquecida do mundo, aquela gente era feliz e vivia em paz, ainda que a vida não lhe fosse fácil.
                Um fiel burrico fazia parte da pequena lista de propriedades daquela família. Era um animal valente e bem disposto, em cujo lombo havia sido carregada toda a terra removida para a construção do pequeno açude, que mantinha todos vivos na época das longas estiagens.
                Com a chamada “febre da cidade grande”, quando a população campestre deixa a zona rural em busca de trabalho nos grandes centros urbanos, a família ficou reduzida a um menino, sua mãe e o avô. Os tios não apareciam havia tempo! O próprio pai da criança só às vezes mandava lembranças.
                Dinheiro, que é bom, nada.
                Quando o menino cresceu mais um pouquinho, o avô amoroso resolveu levá-lo para ser educado na escola da cidade mais próxima, que ficava um dia de viagem do sítio. Viagem a pé, diga-se de passagem, e pela estrada de chão, fique bem claro.
                O velho aprontou o burrinho e, logo de manhã cedinho, partiram os três estrada afora, o velho, o menino e o burrico. A criança ia montada no animal e o velho ia à frente, conduzindo a montaria.
                Por volta das oito horas da manhã, os três pararam em frente a uma linda fazenda, com uma cerca de mourões de jacarandá, muito bem feita, que marcava os limites da propriedade. Não longe da estrada podia-se ver a casa da sede, onde a fumacinha que saía da chaminé lembrava um café fresquinho, esquentado em cima do fogão de lenha.
                Uma grande turma de trabalhadores, homens e mulheres, espalhavam os grãos de café para secarem no espaçoso terreiro. Quando aquela gente toda viu o velho a pé e o menino em cima do burro, levantou-se um burburinho.
                Todos comentavam: “Mas que falta de consideração com o pobre velho! Nessa idade e fazendo tanto esforço! Uma criança nova como essa pode muito bem andar por si só, sem precisar ir montada no lombo de um burro. O velho sim, precisa de montaria!”.
                Um daqueles trabalhadores então gritou:
                — “Ô, menino! Respeite os mais velhos! Desça do burro e dê o lugar ao pobre velho”!
                Assim, o velho e o menino mudaram de posição: o velho montou no burro e a criança foi à frente, puxando o animal.
                Por volta das dez horas, atravessaram uma pinguela, ponte estreita, feita com o tronco de uma árvore, e pararam junto a uma porteira, em frente a um grande curral, onde os boiadeiros cuidavam do gado.
                Quando aqueles homens viram a criança abrir e fechar a porteira, enquanto o velho passava em cima do burro, comentaram:
- “Pobre criança! A coitadinha vai pela estrada a puxar o animal e a abrir as porteiras, como se fosse uma escrava daquele velho mau e preguiçoso!” Um deles gritou:
                — “Ô velho! Tem vergonha não? Tenha pena dessa pobre criança”!
                Assim, o velho deu a mão ao menino e ele, ariscamente, pulou para cima do burro. Lá se foram caminho afora, os dois em cima do burro, vagarosamente.
Às duas horas da tarde, ao fazerem a curva que contornava um morro todo plantado de milho, avistaram um arraial em festa. Um grupo de pessoas celebrava em torno de um braseiro, onde um vistoso assado enchia o ar de sabor.
                Ao verem o velho e o menino montados no burro, comentaram: “Mas que maldade com o bichinho! Dois montados em um pobre burrinho!” E gritaram:
                — “Vocês vão matar esse animal de cansaço”!
                Assim, o velho e o menino apearam e seguiram a pé pelo caminho, puxando o burrinho. Mais outro tanto de caminhada e os três chegaram, finalmente, muito cansados à cidade.
                Passando pela porta de um botequim, alguém maldosamente comentou de lá de dentro: “Olhem só! Três burros: dois na frente puxando outro pela cordinha!”
                Atravessando a cidade, atingindo enfim o portão da escola, mais alguém comentou: “O velho tá pagando promessa, sô? Se Deus lhe deu um burro, por que não monta nele? Será que não tem pena dessa criança?”
                Quando se despedia do neto, o velho comentou:
                — Meu filho, lembre da lição que Deus nos deu hoje. Quando você montava o burro, os que trabalhavam no terreiro, espalhando os grãos, não lembraram de nos oferecer um café, mas souberam te criticar. Os boiadeiros não se ofereceram para cuidar do nosso burrinho, dando-lhe água e um pouco de alimento, mas criticaram a mim.
Os festeiros não nos ofereceram um pouco do assado, ainda que fosse a hora do almoço, mas criticaram a nós dois. Por fim, chegando à cidade, na porta da escola, antes de nos receberem e nos darem boas-vindas, vindo nós de tão cansativa viagem, criticaram a todos nós, incluindo nosso pobre burrico. Prepara-te, meu filho, para a vida no mundo.
                "Você nunca deve tentar agradar a todos, se você tentar agradar a todos, acabará não agradando a ninguém".
                Conforme nos alertou o Senhor Jesus, há pessoas que sempre criticam, seja lá o que for. Ele também sofreu com isso, pois certa vez também foi vítima desse hábito das pessoas. Ele mesmo nos advertiu quanto a isso:
                “Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Mateus 11.18,19)
                A nós convém agradar somente a Deus!



Autor Desconhecido – Enviado por e-mail por Mary