quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sementes


                Um homem trabalhava em uma fábrica distante cinquenta minutos de ônibus da sua casa. No ponto seguinte entrava uma senhora idosa que sempre sentava-se junto à janela. Ela abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora. A cena sempre se repetia e um dia, curioso, o homem lhe perguntou o que jogava pela janela.
                -“Jogo sementes”, respondeu ela.
                -“Sementes? Sementes de que”?
                - “De flores. É que eu olho para fora e a estrada é tão vazia...  Gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho. Imagine como seria bom”!
                - “Mas as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos... A senhora acha mesmo que estas sementes vão germinar na beira da estrada”?
                - “Acho, meu filho. Mesmo que muitas se percam, algumas acabam caindo na terra e com o tempo vão brotar”.
                - “Mesmo assim... demoram para crescer, precisam de água”...
                - “Ah, eu faço a minha parte. Sempre há dias de chuva. E se alguém jogar as sementes, as flores nascerão”.
                Dizendo isso, virou-se para a janela aberta e recomeçou seu trabalho. O homem desceu logo adiante, achando que a senhora já estava senil.
                Algum tempo depois... Um dia, no mesmo ônibus, o homem ao olhar para fora percebeu flores na beira da estrada...  Muitas flores... A paisagem colorida, perfumada e linda! Lembrou-se então daquela senhora. Procurou-a em vão. Perguntou ao cobrador, que conhecia todos os usuários no percurso.
                - “A velhinha das sementes? Pois é... Morreu há quase um mês”.
                O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela.
                - "Quem diria, as flores brotaram mesmo", pensou! "Mas de que adiantou o trabalho dela? Morreu e não pode ver esta beleza toda".
                Nesse instante, ouviu risos de criança. No banco à frente, uma garotinha apontava pela janela, entusiasmada:
                -“Olha, que lindo! Quantas flores pela estrada... Como se chamam aquelas flores”?
                Então, entendeu o que aquela senhora havia feito. Mesmo não estando ali para ver, fez a sua parte, deixou a sua marca, a beleza para a contemplação e a felicidade das pessoas.
                No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se junto à janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso... E assim, deu continuidade à vida, semeando o amor, a amizade, o entusiasmo e a alegria.
                “O futuro depende das nossas ações no presente.”
                “E se semeamos boas sementes, os frutos serão igualmente bons.”
                Vamos semear nossas sementes agora!


(Autor Desconhecido)