quarta-feira, 30 de abril de 2014

CONVIVER BEM É POSSÍVEL! ATÉ COM OS SOGROS !

            O casal Felipe e Luciana volta da Lua de Mel todo entusiasmado para começar sua nova vida e chega em casa: “Surpresa!”. Os pais da noiva tocam a campainha trazendo a primeira compra de supermercado. Os recém-casados agradecem e meio constrangidos, convidam-nos para comerem uma pizza. Toca a campainha novamente: “Surpresa!”. Chegam os pais do noivo. E que coincidência, também trazem uma compra de supermercado! Claro, também são convidados para a pizza.
            Algumas pessoas podem olhar para esta cena e não perceberem nada demais. Outros podem considerar inconveniente a atitude destes pais. Cada família vive um contexto. Mas, no caso deste casal, estes sogros, eram bem protetores e tratavam seus filhos como se eles ainda fossem solteiros. Não deixavam que assumissem a responsabilidade de uma vida conjugal.
            Alguns filhos e pais passam por dificuldades no momento de cortar o “cordão umbilical emocional”. Isto devido à ligação extremamente forte entre pais e filhos.  Ao longo dos anos na convivência entre eles, por vários fatores, não houve uma autonomia gradual e sucessiva, que precisava ter acontecido a cada etapa do desenvolvimento infantil e na adolescência. Ao chegar a vida adulta, essa transição de saída da casa dos pais, para iniciar uma nova família, fica bem difícil e causa sofrimento a ambas as partes.
            É necessário entender que ninguém está abandonando um ao outro. Os pais continuarão a serem pais. Os filhos continuarão a serem filhos. Mas os papéis e funções serão diferentes. Antes de se casar a dedicação dos filhos é aos pais. Depois do casamento, esse filho passa a dedicar-se ao cônjuge.
            Encontramos na Bíblia uma grande ênfase neste principio, em Gn 2. 24 e Ef 5. 31 - “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe, se unirá a sua mulher e eles se tornarão uma só carne”. Uma coisa sempre me intrigou: porque será que nesse texto, a recomendação de deixar pai e mãe é utilizada a palavra “homem”? Será que é porque é mais difícil para o filho separar-se da sua mãe? Eis a questão! Só para reforçar: o princípio de deixar pai e mãe é para os dois cônjuges!
Honrar, Sempre!
            Aos filhos, mesmo depois de casados, precisam continuar a honrar aos seus pais. Nisto a Bíblia também é muito clara. Desde os Dez Mandamentos (Ex 20. 12 cf. Dt 5. 16) até no Novo Testamento em Ef 6. 2-3, “Honra teu pai e a tua mãe- este é o primeiro mandamento com promessa- para que tudo corra bem e tenhas longa vida sobre  a terra”. Existem maneiras bem práticas que o casal pode honrar seus pais: fazendo visitas periódicas, convidando-os para um almoço ou jantar em sua casa, dar um telefonema para ter notícias, acompanhar a um médico. Enfim, ficar atento às suas necessidades, conforme a idade vai chegando.
A boa convivência entre o casal e os sogros.
            Apesar de existirem muitas piadas e brincadeiras sobre sogras, é possível ter uma convivência harmoniosa com os sogros. Eu fui muito abençoada nesta questão. A minha sogra D. Genny Boanaiuti Leoto, me acolheu como uma filha. Eu sou do interior, vim estudar na capital paulista aos 18 anos, quando comecei a namorar o Sergio Leoto, meu marido.  Aos finais de semana convivíamos juntos, na mesma igreja, nos almoços de família, etc. Enquanto meus sogros ainda eram vivos, pudemos aprender muito com o exemplo de vida deles e sua fidelidade a Deus.
            A Bíblia comprova que entre sogra e nora, cujo relacionamento é retratado pelo senso comum, como um dos mais conflitantes, é possível existir harmonia. Rute e Noemi são os maiores exemplos de uma relação de amor e honra entre sogra e nora.  No livro de Rute, está narrada esta maravilhosa história. Elimeleque, marido de Noemi, morreu e mais tarde seus dois filhos. Ficaram viúvas a sogra Noemí e suas duas noras, Orfa e Rute. A primeira decide voltar para a terra de seus pais. Mas Rute prefere ficar com a sogra e faz a maior declaração de cumplicidade, citada em muitos casamentos: "... porque onde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus" (Rute 1:16). Noemi queria o melhor para Rute e Rute queria o melhor para a sua sogra. A história segue e o plano divino continua. Essas duas mulheres fazem parte da genealogia de Jesus, pois Rute gerou Jessé, que foi pai do Rei Davi, do qual Cristo tem sua raiz. Deus honrou o coração de serva de Rute em sua dedicação à sua sogra e a fidelidade que ambas tiveram para com Ele.
Uma boa convivência é possível!
            Genros, noras, sogros e sogras: é possível viver bem e de maneira saudável. Mas é necessário considerar algumas regras básicas para uma boa convivência:
Aos sogros:
            - Deem conselhos quando os filhos pedirem. Caso queiram compartilhar uma ideia, mesmo que eles não peçam, façam como uma sugestão e não deixe soar como uma ordem ou imposição. Usem palavras como: “Posso dar uma sugestão...”.
            - Ao dar um presente, avise antes a sua intenção e se possível dê alternativas de escolha, como cor, marca, tamanho, etc.
            - Dê o presente, sem esperar nada em troca. Cuidado com a manipulação e controle: “Vamos dar um apartamento para vocês, mas queremos que…”.
            - Alguns pais oferecem uma ajuda mensal financeira ao casal. Isso estimula a viver um padrão que não podem sustentar e também não contribui para que se tornem independentes, tanto financeiramente como emocionalmente.
            - Respeite a liberdade de o casal tomar as decisões por conta própria.
Aos filhos:
            - Não deixem de visitar seus pais, convidá-los para estar em sua casa, levá-los a passeios e atender às necessidades emergenciais, conforme a idade for chegando.
            - Não abusem da boa vontade dos sogros. Eles também precisam de privacidade. Requisitá-los a todo o momento, não sair de suas casas, estar sempre lá para almoçar ou jantar, deixar os filhos para eles cuidarem, sem pedir licença, é falta de respeito.
            - Quando precisar dar uma resposta negativa a um dos sogros, que seja o próprio filho que dê a informação. Uma sogra detesta ouvir um “não” da nora!
            Por exemplo: a sogra liga convidando para ir jantar aquela noite em sua casa, pois fez o prato predileto do filho: dobradinha! A nora atende ao telefone. Ela detesta dobradinha e não quer ir jantar na sogra neste dia. Pois justamente hoje, ela se inspirou e fez a panqueca que ele tanto gosta. E agora? Ela cumprimenta a sogra, ouve atentamente o convite e passa o telefone para o marido dizer para a mãe que infelizmente, hoje será impossível irem jantar em sua casa. Mas promete ir amanhã. Ou já deixa marcado o dia em que poderão comparecer, para comer o delicioso prato que ela preparou.
            Dá para escrever um tratado de como conviver bem na grande família. Afinal, não tem saída, quando se casa, o fazemos com toda a família. É preciso aprender a lidar com o cônjuge, mas o fato é que também é importante saber conviver com os outros membros da família. Um relacionamento ruim com os demais torna a vida do casal um inferno e traz muitos problemas para todos.
            Muitos divórcios são causados por falta de sabedoria no tratamento dos familiares como sogros, cunhados, genros e noras e demais. A Bíblia nos exorta a mantermos a paz e em Romanos 12. 17,18, Paulo diz que é preciso esforço e disposição para isso. Se cada um fizer a sua parte, já será um bom começo para que se construir uma relação saudável entre todos!




(Artigo feito a pedido da revista “Lar Cristão”, pela Psi. Magali Leoto)