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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O CHEQUE

Era uma vez, um rapaz que ia muito mau na escola. Suas notas e o comportamento eram uma decepção, mas seus pais sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.
Um belo dia. o bom pai lhe propôs um acordo: Se você, meu filho, mudar o comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina lhe darei então um carro de presente.
Por causa do carro o rapaz, mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz, não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau!
O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços.
Assim, o grande dia chegou! Fora aprovado no vestibular para o curso de Medicina.
Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel. Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa, o presente era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, o silêncio separava pai e filho. O jovem se sentia traído e agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava noticias à família.
O tempo passou, ele se forma, consegue um bom emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho já fraco e muito entristecido. Faleceu.
Após o enterro, o filho, indiferente, de volta à sua casa resolveu olhar aquela Bíblia que tinha sido o último presente do pai. Notou que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo encontrou uma carta e um cheque. Na carta dizia:
"Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha aquele que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever da consciência."
Corroído de remorso, o filho caiu num profundo pranto.
Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isto leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde caro amigo, perdoe aquele a quem você pensa ter lhe feito mal. Talvez se olhar com cuidado vai ver que há também um cheque escondido em todas as adversidades da vida.
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós"
(Mateus 7. 1 e 2)

domingo, 14 de dezembro de 2008

MÃES MÁS

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiente para perguntar: aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão;
- Eu os amei o suficiente para não ficar em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia;
- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar pelos caramelos que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: “nós roubamos isto ontem e queríamos pagar”.
- Eu os amei o suficiente para ficar em pé junto a vocês por 2 horas enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria realizado em 15 minutos;
- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos;
- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade por suas ações, mesmo quando as penalidades eram duras que me partiam o coração;
- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso.
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.
Estou contente, venci, porque no final vocês venceram também!
E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer, quando eles perguntarem se a sua mãe era má: Sim. Nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo. As outras crianças comiam doces pela manhã enquanto nós tínhamos de comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete no almoço enquanto nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
E ela obrigava-nos a juntar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comer vendo televisão.
Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora. Era quase uma prisão.
Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
Insistia que lhe avisássemos ao sair, mesmo que fôssemos demorar só uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis do trabalho infantil: Nós tínhamos de lavar louça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis.
Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade. E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
Ela não deixava nossos amigos tocar a buzina para que nós saíssemos. Tinha de subir e bater à porta para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam sair à noite com 12, 13 anos nós tivemos que esperar pelos 16. Por causa das nossas mães, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por causa dela.
Agora que já saímos de casa, somos adultos honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “pais maus”, tal como a nossa mãe foi. Acho que esse é um dos males do mundo de hoje: Não há suficientes mães más!