terça-feira, 29 de setembro de 2026

Eles Podem. Nós Não

 


Eles Podem. Nós Não

 

“Frequentemente ouço dizer: ‘Não levem a religião para a política’. É precisamente para aí que ela deve ser levada...” Essa frase de Spurgeon (o grande pregador inglês) mostra que muitos cristãos estão na contramão do que Deus espera de nós. Gente que tem um projeto de poder muito bem arquitetado disseminou ideias como: política e religião não se discutem; líderes religiosos não podem tratar de política... E por aí vai. Assim, as igrejas e líderes sérios foram se calando, com medo das críticas, ou mesmo acreditando nisso.

É interessante que tudo depende de sua posição. Se você for um cristão conservador que preza pelos valores da Bíblia, o sistema espera que você fique calado. Se você for um liberal, ou adepto da “teologia” da “libertação”, então você pode falar o que quiser.

Enquanto líderes honestos são recriminados se tratarem de política na igreja, outros podem tudo. Professores doutrinam nas escolas e universidades. A história é violentada e narrativas são inventadas para defender o “progressismo”. Universidades não são mais escolas do saber. A maioria se tornou QG de doutrinação “progressista”. A grande mídia manipula a política. A “elite cultural” faz campanha aberta. Mas, se pastores, padres, líderes, todos conservadores, se posicionam, aí o mundo desaba. “Que absurdo esses homens falarem de política na igreja”!

Abomino politicagem. Detesto a ideia de igrejas como currais eleitorais (que cada um vote conforme sua consciência cristã). Não tenho tempo para me candidatar a cargos públicos, nem vontade. A vocação pastoral já é ocupação suficiente. Mas tenho o direito e a obrigação de instruir o povo que Deus me confiou. Não tenho que dizer em quem devem votar, mas tenho que ensinar sobre os valores do Reino e instruir para que votem em candidatos que representem os valores do Reino.

Alguns dizem que líderes religiosos não devem manifestar suas posições políticas para não influenciar o povo. Líderes são cidadãos e votam em quem quiserem, com pleno direito de se manifestar. Púlpitos e altares não são palanques políticos e nunca devem ser. Mas, no cotidiano, votamos e podemos expressar nossas posições políticas. Se padres e pastores liberais, professores de história, sociologia, filosofia, universitários, artistas... podem manifestar seu voto, por que homens conservadores e verdadeiramente cristãos não podem? Não só podem como devem.

Moisés governou um povo (Êxodo a Deuteronômio). Davi foi rei (livros de Samuel, Reis e Crônicas). Natã confrontou o pecado do rei (2Sm 12.1-13). Isaías, Zacarias e Amós exortaram políticos (Is 10.1-2; Zc 10.2-3; Am 2.6-7). Malaquias repreendeu políticos e líderes religiosos corrompidos (Ml 2.1-9; considere que sacerdotes tinham grande poder político). João Batista condenou as atitudes de um governador corrupto e mau (Mt 14.3-4). E nós devemos continuar sendo voz profética hoje e sempre.

Não precisamos de presidentes, senadores e deputados cristãos ou evangélicos. Mas precisamos de verdadeiros cristãos vocacionados para assumirem essas posições. Não devemos encabrestar ninguém. Mas devemos propagar, divulgar, ensinar e lutar pelos valores do Reino. Se eles (“progressistas”) podem, nós também podemos, devemos, temos a obrigação. Façamos política e fujamos de toda forma de politicagem.

 

Rev. Juberto Oliveira da Rocha Júnior

Cristofobia

 


Cristofobia

 

A moda da mídia e de todo o sistema ideológico “progressista” e de esquerda é falar mal dos cristãos e de toda a influência judaico-cristã ocidental. Somos ridicularizados e achincalhados por “celebridades” e “intelectuais” ignorantes, que não se preocupam com a verdade, somente com suas pautas ideológicas nefastas. O que esse sistema quer esconder é que o cristianismo é a maior bênção que o mundo já recebeu.

Dizem que o cristianismo atrapalha a ciência. Escondem que muitos dos maiores cientistas foram ou são cristãos, como Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Pascal, Newton, Michael Faraday, James Clerk Maxwell, William Thomson (Lord Kelvin), Georges Lemaître, Pasteur, Francis Collins, Leonhard Euler, John Napier, Jennifer Wiseman, John Lennox, Ard Louis, Denis Alexander e muitos outros. Vale a pena pesquisar sobre eles.

Foram os cristãos os fundadores das grandes universidades e incentivadores do pensamento em casas do saber, como a Universidade de Bolonha, Oxford, Universidade de Paris, Cambridge, Heidelberg, Harvard, Yale, Princeton e Columbia. E, no Brasil, temos o Mackenzie, as universidades metodistas, as luteranas, entre muitas outras. Agora, a militância “cristofóbica” tenta escorraçar cristãos das universidades e nos chamam de ignorantes.

Do meio cristão levantaram-se grandes líderes abolicionistas, como William Wilberforce, John Wesley, Harriet Beecher Stowe, Frederick Douglass, Charles Grandison Finney e muitos outros.

A democracia moderna deve muito ao cristianismo e aos seus dogmas, se não tudo. Os que hoje se valem do direito até de falar contra o cristianismo devem esse direito ao próprio cristianismo. Em países muçulmanos, comunistas e em culturas não cristãs, ou não influenciadas pelo cristianismo, essa liberdade não existe. A China só permite igrejas que o Partido controle. A Coreia do Norte confina cristãos em campos de concentração. Em países fundamentalistas islâmicos, não pode haver outra religião senão o Islã. O ateu, em países de maioria cristã, tem liberdade para falar contra Deus graças a Deus.

Se cristãos não fundassem hospitais, comunidades de recuperação de viciados e projetos sociais, e se igrejas não estivessem presentes nas comunidades em que o Estado é inexistente, há muito o caos já estaria estabelecido no Brasil e em grande parte do mundo. A conversão cristã muda o homem por inteiro. Viciados são curados e delinquentes redimidos por causa de Cristo. Milhões de igrejas estão envolvidas com projetos sociais em seus bairros, países e continentes, fazendo o que os Estados, os “intelectuais” e os “ideólogos” não fazem. E elas não usam dinheiro público para fazer o que fazem.

Cristãos são acusados de alienação, mas a cultura deve imensamente aos cristãos. Temos grandes escritores como John Milton, John Bunyan, C. S. Lewis, Charles Wesley, Bonhoeffer, Francis Schaeffer, G. K. Chesterton e J. R. R. Tolkien... Na música, temos Bach, Handel, Brahms, Mendelssohn e muitos outros. Cristãos estão presentes em todas as áreas das artes e da cultura.

O sistema atual tenta sufocar o cristianismo porque o cristianismo é o único que denuncia o pecado e confronta o homem. No âmbito ideológico, o contrário da esquerda não é a direita. Antes, é o cristianismo. O cristianismo perturba o sistema porque se opõe à degradação humana e a toda essa loucura atual que vem sendo promovida e estimulada.

Se você é cristão, fique firme. Não esmoreça! Que seja o nosso lema as palavras do apóstolo Paulo: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.16–17).

 

Rev. Juberto Oliveira da Rocha Júnior

Balança Adulterada

 


Balança Adulterada

 

Quando o Senhor Deus deu normas a seu povo, ele estabeleceu o princípio de que o juiz deve ser imparcial e buscar a justiça acima de qualquer interesse (Dt 16.18-20). A Bíblia diz que "a balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer" (Pv 11.1). Nos nossos dias, a balança da justiça anda descalibrada. Pesos adulterados fazem com que a justiça não seja igual para todos. Em nosso país, a balança pende para lados que convêm a alguns.

Se houver demanda entre um heterossexual e um que se declare homossexual, a balança pende para o segundo antes mesmo de os fatos serem analisados. Há exceções, mas, na maioria dos casos, é assim. E não só nesse caso. Em um litígio entre homem e mulher, a mulher já entra com vantagem. Em um processo entre branco e negro, muitos tribunais pendem imediatamente para o negro. Um ladrão que cresceu em uma favela é tratado como vítima da sociedade.

Recentemente, vimos o caso de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, que foi assassinado em 2021. No início de junho de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu a ela o perdão judicial. A juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, justificou a decisão afirmando que Monique sofreu um julgamento público e midiático severo e desproporcional por ser mulher e mãe, apontando forte discriminação de gênero no caso. A mulher foi absolvida por ser mulher e mãe. Como assim? Esses dois requisitos a absolvem de seu crime e omissão? As loucuras ideológicas progressistas infectaram nosso Judiciário, e a justiça nem sempre é justa.

Cristãos sinceros devem se posicionar sobre isso. A Bíblia ensina que: 1) a justiça deve ser igual para ricos e pobres, sem privilégios (Lv 19.15); 2) todos devem ser tratados da mesma maneira perante a lei (Dt 1.16-17); 3) o julgamento não deve ser influenciado pela opinião popular nem por favoritismos (Êx 23.2-3); 4) corrupção e parcialidade são condenadas (Êx 23.6-8); 5) a parcialidade é incompatível com a justiça (Pv 24.23); 6) o juiz deve proteger os vulneráveis e julgar com retidão (Pv 31.8-9); 7) o juiz deve representar a justiça de Deus, que é imparcial (2Cr 19.6-7); 8) o favoritismo é incompatível com os princípios cristãos (Tg 2.1-9); 9) Deus julga todos com igualdade, e a justiça humana deve refletir esse caráter (Rm 2.11). A balança tem que ser justa, e nós, cristãos, devemos lutar por isso.

Ninguém deve ser favorecido ou preterido por sua condição social, raça, credo, opção de comportamento sexual, sexo, etnia, posicionamento político... Perante a lei, todos devemos ser iguais. O Judiciário não é lugar de militância, e, quando juízes começam a ficar midiáticos, temos um mau sinal.

Cristãos devem se posicionar e ser voz profética. A Bíblia diz: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as" (Ef 5.11). E ainda: "...Detestai o mal, apegando-vos ao bem" (Rm 12.9). E mais: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12.21). E muitos outros versos poderiam ser citados.

Um cristão se alegra com a justiça, se regozija com a verdade e deve se posicionar do lado do que é justo. O povo de Deus foi chamado para promover os valores do Reino, e a justiça imparcial e honesta é um valor inegociável do Céu. “A igreja deve ser lembrada de que não é a mestra ou a serva do Estado, mas sim a sua consciência” – Rev. Martin Luther King Jr.

 

Rev. Juberto Oliveira da Rocha Júnior

O Crime da Educação Excelente

 


O Crime da Educação Excelente

 

Um casal de Jales (SP) foi condenado a 50 dias de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Qual foi o crime do casal? Educar suas duas filhas (de 11 e 15 anos) com excelência. O casal é adepto do homeschooling (educação domiciliar). As crianças estudam inglês, latim, piano e teoria musical; leem seis vezes mais livros que a média nacional; recebem instrução nas matérias clássicas; e a mãe formou-se em Pedagogia e Matemática para ensinar as filhas. Além disso, as meninas participam de atividades comunitárias, aulas de música e catequese, o que lhes garante interação social.

Na sentença, o juiz destacou que “a escola regular não serve apenas para a transmissão de conteúdo acadêmico, mas também cumpre o papel constitucional de garantir a interação social ampla, o respeito à diversidade cultural e o contato das menores com diferentes realidades sociais”. O magistrado reforçou que “o interesse superior da criança deve prevalecer sobre as convicções e escolhas ideológicas particulares dos pais”.

A Justiça brasileira é incapaz de cobrar das autoridades uma boa educação para nossos filhos, mas é capaz de punir pais que desejam oferecer a melhor educação possível a eles. Vamos aos fatos: a escola regular tem sido incapaz de ensinar adequadamente as matérias básicas. O Ministério da “Educação” agrava ainda mais a situação com suas orientações alinhadas à cartilha “progressista”. A interação social ampla, sobretudo na escola pública, muitas vezes se mostra uma influência nociva para as crianças. O chamado “respeito à diversidade cultural” pode acabar se tornando uma forma elegante de impor valores e práticas com os quais cristãos e famílias conservadoras não concordam. Diversidade cultural seria funk, sertanejo universitário, pornografia etc.?

Quem define o “interesse superior da criança”? O Estado? O Estado brasileiro, influenciado por ideologias socialistas e comunistas, busca reduzir o papel da família e ocupar um lugar quase divino. Entretanto, um Estado transformado em “deus” nada mais é do que um ídolo. Todos têm direito às suas escolhas de crença, fé e religião. Em nosso país, ainda não é crime crer. Pelo contrário: a Constituição garante liberdade de culto e crença. Isso não pode ser classificado como mera “escolha ideológica”, como sugeriu o magistrado em sua sentença.

O juiz alegou que os pais cometeram “abandono intelectual”. Mas, diante da formação que as meninas recebem, onde estaria esse abandono? Nossas crianças na escola regular é que, muitas vezes, estão intelectualmente abandonadas. A sentença obriga os pais a matricularem as meninas na escola. Então eu pergunto: se posso oferecer uma educação melhor do que a disponibilizada pela rede oficial de ensino, por que deveria me submeter a isso?

Não sou contra a escola regular, nem contra a escola pública. A tradição religiosa à qual pertenço — a Reformada — lutou pela escola pública e pela escola regular. O lema era: “Ao lado de cada igreja, uma escola”. Sou contra, porém, a atual escola ideologizada e contaminada que temos hoje, degradada por “intelectuais” de esquerda.

Parece-me que é tempo de cristãos e pessoas de bem cogitarem a “desobediência civil”, conceito pensado por Henry David Thoreau e aplicado por Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr.. A Bíblia ensina que o cristão deve ser submisso às autoridades, mas há limites. Quando obedecer às leis humanas implicar desobedecer à Verdade e às leis de Deus, então devemos desobedecer às leis humanas e suportar, com alegria, as consequências para a glória de Cristo. É tempo de refletir sobre isso.

 

Rev. Juberto Oliveira da Rocha Júnior