As Alcunhas que Viraram Identidade
Ao longo da história, este mundo tem usado apelidos para tentar ridicularizar os cristãos. O interessante é que acabam por nos definir corretamente, ainda que o propósito seja de escárnio.
Primeiro, éramos “os do Caminho” (At 9.2). Uma maneira de os judeus identificarem os crentes (que ainda não haviam recebido o nome de cristãos). E somos mesmo os “do Caminho”. Queremos seguir o único Caminho, que é Cristo. Queremos ser achados pelo caminho falando de Cristo. Estamos a caminho da Cidade Santa.
Depois, fomos chamados “cristãos” (At 11.26). Fomos chamados cristãos com ironia. Cristão quer dizer “pequeno Cristo”, um “Cristozinho”. Era como se, em Antioquia, eles estivessem dizendo:
— “Lá vão os Cristinhos.”
— “Veja a imitação de Cristo. Olha a cópiazinha de Cristo!”
Para o mundo era uma crítica. Mas, para nós, é a exata definição do que desejamos ser: “protótipos de Cristo”, pequenos Cristos. Que definição gloriosa!
Quando Deus resolveu trazer um avivamento espiritual de retorno da Igreja à Bíblia, Ele moveu Lutero para pregar suas 95 Teses na porta da capela de Wittenberg. Os adeptos do movimento iniciado por Lutero foram chamados de “protestantes”. Era para ser uma crítica, mas define o que somos: aqueles que protestam contra erros doutrinários e posturas antibíblicas. Lutero protestou contra os erros de seu tempo, e é o que devemos fazer também.
Calvino cria que a igreja dominante em seu tempo era tão afastada das Escrituras que não podia ser reformada; uma nova Igreja devia ser criada, retornando aos conceitos da Igreja Primitiva. Seus opositores passaram a chamar os adeptos de Calvino de “reformados”. E não é exatamente o que somos? Um povo que deseja realizar uma reforma espiritual no coração das pessoas, fazendo com que a Igreja que milita nesta terra seja bíblica.
Passamos a ser chamados de “evangélicos” porque diziam que só sabíamos falar do evangelho; tudo era o evangelho. Abraçamos essa alcunha porque é isso mesmo. Somos o povo das Boas-Novas, do Evangelho. Posteriormente, os mesmos que nos apelidaram de evangélicos passaram a exigir para si o mesmo título, pois também creem no evangelho. Mas não fomos nós que nos demos esse nome; nós o recebemos com alegria.
— “Lá vão os ‘crentes’!” — num tom de extremo deboche, passaram a nos chamar de crentes. Que belo nome! Somos mesmo crentes em Jesus e em Sua Palavra. Agora, os mesmos que nos apelidaram se indignam, dizendo: “Nós também somos crentes!” Sim, só precisam definir em que creem. O Diabo também crê e treme. Com orgulho, somos crentes rendidos a Cristo Jesus. Que lindo nome nos deram!
No Brasil, antigamente nos chamavam de “Bíblias”. No Rio de Janeiro, quando alguém se converte, dizem:
— “Fulano virou Bíblia.”
Que privilégio! Esse é o nosso anseio: viver a Bíblia, personificar a Palavra, obedecer à voz do Senhor. Queremos mesmo ser “Bíblias”.
Agora nos “enlataram”, nos colocaram, a nós e às nossas famílias, “na conserva”. Que gloriosa associação! Queremos mesmo conservar os mais preciosos valores judaico-cristãos. Queremos, de fato, que nossas famílias sejam conservadas íntegras nos moldes que o Senhor as idealizou. Queremos manter os pilares antigos e preciosos da Palavra de Deus. Somos conservadores; queremos conservar e queremos ser conservados para a glória de Cristo. Que o Senhor nos dê graça para tal.
Que o mundo continue tentando nos depreciar, pois, por obra e graça do Senhor, só faz reforçar nossa identidade.
Juberto Oliveira da Rocha Júnior
(Reverendo Juba)

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